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CONHECENDO GUARAPARI
Publicado em 11/06/2010
 
A história conta que um missionário de Tenerife, a maior das Ilhas Canárias, província da Espanha, de nobres famílias da Península, Llarena, Loyola, Núñes e Anchieta e ainda soldado do grande santo Inácio de Loyola, arribou a estas terras brasileiras a 13 de julho de 1.553. Era o Apóstolo José de Anchieta. Depois de haver evangelizado em outros cantos deste País, veio para a Capitania do Espírito Santo ao lugar chamado Reritiba, hoje Anchieta (Padre Antônio Núñes). Foi em 1.569, quando o Padre José de Anchieta percorria as terras do Espírito Santo como visitador dos jesuítas, encarregado de estabelecer novas aldeias para catequese dos índios Goitacazes, Purus Tupiniquins e Aimorés, sendo uma delas a de GUARAPARI, que determinou o nascer desta povoação. Mas só em 1.585, portando 16 anos depois, é que o Padre José de Anchieta fundou a quarta e última aldeia em terras espírito-santenses, que recebeu os seguintes nomes:

ALDEIA DO RIO VERDE OU DE SANTA MARIA DE GUARAPARIM, VILA DOS JESUÍTAS, GUARAPARIM, GUARAPARI
Guarapari - Vocábulo de origem indígena, derivado de:
Guará - Garça ave (ibis rubra - nasce branca, torna-se cinza, volta embranquecer, e por fim, a sua coloração é vermelho-carmesim).
Pari ou Parim - Pesqueiro, lugar cercado para apanhar peixe, curral.
Obs.:
Para Saint Hilaire, em 1818 e Dameon, em 1879, Pári significava 'laço' ou 'armadilha'.
Para o Padre Jacomé Monteiro, em 1610 dizia que Parim significa 'manca'.

No ano de 1.585, o Padre José de Anchieta fundou no alto da colina, uma capela que servia para residência dos padres em missão e catequese dos índios.A capela era dedicada a Sant'Ana ou Santa Maria.
Depois desta última redução, o Padre José de Anchieta deixou de ser Provincial e Diretor e, extenuado, recolheu-se a Reritiba, aonde veio a falecer a 09 de junho de 1.597.
Em 1.677, o donatário da capitania, Francisco Gil de Araújo, manda edificar na aldeia de Guaraparim uma igreja dedicada a Nossa Senhora da Conceição, por ser a padroeira da aldeia (hoje a ruína da igreja é patrimônio histórico).
Em primeiro de janeiro de 1.679, o Donatário Francisco Gil de Araújo eleva a Aldeia de Guaraparim à categoria de "Vila" e sua instalação sai em primeiro de março daquele ano.
A comarca de Guarapari foi criada pela Lei Provincial de 1.835, compreendendo a mesma o Rio Itapemirim, Beneventes e Guarapary.
Em 24 de dezembro de 1.878 Guarapari passou de vila a município, mas durante alguns anos ainda pertenceu à cidade de Anchieta.
O serviço telegráfico foi inaugurado em 1.888.
A Lei Estadual de 19 de setembro de 1.891, sancionada pelo Juiz de Direito e Presidente da Província, Coronel Manoel da Silva Mafra, deu a Guarapari foros de cidade.
Finalmente, em 29 de fevereiro de 1948, Guarapari teve sua Câmara instaurada.
A lei nº 779, de dezembro de 1.953, fixa em três os distritos que compõe o município:

GUARAPARI-SEDE, TODOS OS SANTOS, RIO CALÇADO

O crescimento de Guarapari, no decorrer de sua história, foi realmente muito lento. Na década de 30 as casas não passavam de 250 unidades e, somente na década de 40 é que foi registrada a construção da primeira casa de veraneio. Até 1.952 Guarapari era lugar de difícil acesso, pois a travessia do canal ainda era feita através de balsa. Naquele ano foi construída a primeira ponte de madeira ligando o município aos acessos já disponíveis. Mas foi na década de 60 que Guarapari apareceu para o mundo turisticamente. Divulgada para os quatro cantos do mundo pelo Dr. Silva Mello, a cidade das areias monazíticas medicinais passou a ser referência mundial para o turismo saúde. Daí o título de 'Cidade Saúde'.


FUNDAÇÃO DE GUARAPARI

Esta terra é realmente maravilhosa. Já passou pelos degraus históricos de Aldeia, Vila e Cidade.

- Aldeia do Rio Verde ou Santa Maria de Guaraparim, remonta aos tempos do seu fundador, B. José de Anchieta, no ano de 1585.

- A Vila de Guaraparim por mercê do Rei D. Pedro na pessoa do Donatário da Capitania, Francisco Gil de Araújo, no ano de 1679.

- A Cidade de Guarapari: A Lei Estadual de 19 de setembro de 1891 sancionada pelo Juiz de Direito e Presidente da Província, coronel Manoel da Silva Mafra, deu a Guarapari foros de cidade. O serviço telegráfico, inaugurado em 1888, teve influência marcante na emancipação política da cidade.

Fonte: Guarapari é o seu nome
Autor: Pe. Antônio Nunez (1987)




GUARAPARI 1862

Guarapari 1. Ilhotas à entrada do porto do seu nome, entre elas podem passar navios pequenos. 2. Porto formado pelo mar. Nas marés grandes tem na preamar 26 palmos de fundo, e na baixa-mar 19; nas marés pequenas tem na preamar 23 palmos de fundo, e na baixa-mar 22. O fundo marcado é o de um banco de areia para dentro dos pontais. Fora dele tem 34 a 27 palmos, tendo mais fundo dentro até ao fundeadouro, onde deságua o rio do seu nome. 3. Rio que nasce na serra do seu nome, 5 léguas ao nordeste da vila de Benevente, atravessa várias lagoas, e vai lançar-se no oceano entre o morro do seu nome e o de Perocão. É estreito e profundo na sua embocadura, dá navegação aos barcos que nele entram com facilidade, cozendo-se com o morro Guarapari uma légua acima da foz. As canoas vão até ao Aleixo, 2 léguas do porto da vila. 4. Vila situada ao lado sul do porto do seu nome, em posição elevada, pitoresca e sadia, tendo a leste um majestoso rochedo coberto pelo lado do mar de terra argilosa com frondosas árvores e arbustos. Ao sul, parte da praia que medeia entre ela e a povoação de Meaípe, e em seu cimo, uma capela arruinada. Confronta esta vila o seu termo a leste com o oceano; a oeste por uma linha indeterminada; ao norte com o termo da Vitória pela ponta da Fruta no litoral, e daí para o centro por uma linha leste-oeste; ao sul com o termo de Benevente pela lagoa Maimbá. Os terrenos são entre três serras paralelas à praia, e em elevações progressivas até a serra Geral, a primeira a 2 léguas da costa, e que tem o nome da vila, a segunda a 8 léguas mais ou menos, a terceira forma os limites da província. As terras são férteis, e de excelente qualidade para toda e qualquer cultura própria do país, regadas por córregos de cristalinas águas. A maior parte do território está inculto. Tem 3.300 habitantes. 5. Serra ao poente da vila do mesmo nome. É abundante de cabureíbas. 6. Morro da vila do mesmo nome.


Fonte: Dicionário Topográfico da Província do Espírito Santo
Autor: Brás da Costa Rubim

N.R.: Com ortografia atualizada pelo site Estação Capixaba.




AREIAS MONAZÍTICAS

As areias monazíticas de Guarapari foram descobertas em 1.898 e, em 1.906, a 'SOCIÉTE MINIÉRE ET INDUSTRIELLE FRANCO-BRASILIENSE' instalou em Guarapari a usina 'MIBRA - Monazita Ilmenita do Brasil' para fazer o beneficiamento destas areias, exportando o produto a ser tratado na França. A MIBRA era administrada pelo superintendente Borisw Davidovictch, cidadão russo naturalizado americano.
Na Mibra as areias eram separadas por lavagens e posteriormente por eletroímãs em ordem decrescente:

ILMENITA - De cor preta, é constituída de titânio, ferro magnético e outros metais.

GRANADA - De cor vermelha, é encontrada em abundância em Guarapari, mas somente em pequenos cristais, o que a torna inaproveitável para a fabricação de jóias. Contém, em proporções variáveis, o alumínio, o ferro, o cobre, o cálcio, o magnésio, o manganês e outros metais.

MONAZÍTICA - De cor amarela, é um fosfato. Contém tório de onde se extrai o hélio e outros elementos usados na desintegração atômica. As areias monazíticas foram inicialmente usadas pelo seu teor de tório cuja aplicação principal foi nas camisas incandescentes.

MONAZITA - De onde se obtém o cloreto, o óxido e o fluoreto, sais como o cério e o fosfato trissódico, usados em indústrias de grande sofisticação tecnológica. O Óxido de Neodímio, por exemplo, tem aplicação no raio laser e na fabricação de TV a cores. O Óxido de Cério é utilizado na fabricação de lentes fotográficas e na indústria ótica corretiva. O Óxido de Lantânio é usado em ótica de alta precisão e em ligas especiais. O Óxido de terras raras é empregado no polimento de vidros óticos e vidros de televisão, fabricação de carvões para o arco voltaicos ferro liga. O Carbonato de terras raras é usado na composição de vidros óticos. O Fluoreto de terras raras é usado na metalurgia na obtenção de aços e ligas especiais. O teor de areia monazítica das praias é variado, indo de sua ausência à percentagem de 60% ou até mais. Quando presente, elas se concentram em manchas de aspecto característico, variável de extensão e profundidade, como é fácil observar principalmente na praia da Areia Preta, onde as ondas do mar deixam a sua paisagem marcada por pequenas linhas amarelas, característica da monazítica. A Zirconita, de cor cinza, não sofre atração magnética. Tem uma extensiva e diversificada gama de aplicações, sendo utilizada na indústria ótica e de vidro, na indústria química e metalúrgica, esmalte porcelanizado, louças de primeira qualidade, cerâmica sanitárias, etc. Contém 'mesotônio 1' e é encontrado nas áreas monazíticas. Tem emprego terapêutico devido à penetração de seus raios de gama. O termo monazita provém do grego - monazein, que quer dizer 'estar solitário', o que indica sua raridade.
A Mibra explorou as areias de Guarapari até os anos 60 quando o Governo começou a taxar realmente a sua exploração e exportação. Os proprietários da MIBRA simplesmente abandonaram tudo e foram embora, pois se deram como satisfeitos pela grande exploração feita até então.

Após o abandono da MIBRA, a 'NUCLEMON - Nuclebrás de Monazita e Associação Ltda', subsidiária da NUCLEBRÁS, passou a explorar as areias de Guarapari, mas o prefeito Graciano Espíndula (1.983/1.988) proibiu a extração das areias nas praias da cidade quando era o prefeito.

Estas areias são indicadas para os casos de reumatismo articular e muscular, de artrite deformante e de diferentes etiologias, de nevralgias, mialgias e enfermidades muscular, alergias, sistema nervoso, gota, anemia, nervosismo de insônia, inapetência e perturbação digestiva.

O fato de estar em Guarapari, já constitui um extraordinário elemento de tratamento, uma vez que a radioatividade atua no solo e na atmosfera, tanto dentro quanto fora das casas e dos hotéis, tanto nas praias quanto fora delas.



 
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